Especialista diz que Trump deve tensionar eleições no Brasil por medo da China
O retorno de Donald Trump ao centro da política norte-americana pode aumentar a pressão sobre as eleições no Brasil, em especial pela disputa de influência com a China. A avaliação é da especialista em relações internacionais Regiane Bressan, que vê a América Latina novamente no radar estratégico de Washington.
Na leitura da pesquisadora, o Brasil ocupa posição sensível nesse tabuleiro por reunir peso econômico, diplomático e comercial. Em momentos de maior tensão entre Estados Unidos e China, a tendência é que governos norte-americanos tentem influenciar o ambiente político regional, direta ou indiretamente, para conter a expansão chinesa.
Bressan também chama atenção para a mudança de comportamento político na América Latina ao longo dos últimos 20 anos. Segundo ela, a região alternou ciclos em que presidências de perfil mais à esquerda ou à direita se tornaram predominantes, revelando um cenário marcado por oscilações ideológicas, crise de representação e forte pragmatismo eleitoral.
No caso brasileiro, esse cenário externo pode reforçar o peso de temas como soberania, comércio internacional e alinhamentos diplomáticos na disputa doméstica. Em vez de uma campanha centrada apenas em questões internas, a corrida eleitoral pode ser atravessada por disputas geopolíticas que ajudam a polarizar ainda mais o debate público.